Base#1

André Fran

Diretor, escritor, palestrante e jornalista.

Roteiros do Fran

January 27, 2015

Postado por: André Fran Data: 16 de janeiro de 2015

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Escrevo aqui na coluna sempre com o intuito de apresentar algo diferente dos demais sites e blogs de viagem. Nada contra ambos, mas é porque quero colaborar e minhas experiências acabam sendo um pouco diferentes das viagens mais tradicionais. Acabo falando sobre pensadores de viagem, dicas de filmes, como fazer a mala, características de outras culturas, etc. Mas tenho percebido que os leitores acabam curtindo e se beneficiando muito com roteiros daqueles bem explicadinhos e destrinchados. E porque não unir o útil ao agradável: roteiro de destinos pouco usuais, mas que ao mesmo tempo sejam tranquilos de realizar.

E o primeiro destino dos Roteiros do Fran é….

Japão!

Não pense que dá para se virar fácil no inglês. Então, nada melhor que dicas mastigadinhas. Começando já pelo aeroporto. Você vai chegar no aeroporto de Narita. Leve dólar. Chegando lá, após a imigração (que já é um caso a parte e super tecnológica), assim que você sair a sua direita tem uma casa de “Currency Exchange” a uns 3 metros. Pode trocar grana ali que o câmbio é bom. Depois, siga em frente que tem um balcão de “information” e ao lado esquerdo dele uma escadinha pro metro-trem. Você vai comprar passagem pro Narita Express. É o trem expresso que te deixa em Shinjuku, onde é o hotel e a principal estação de trem (JR, guarda esse nome porque você vai usar o tempo todo).

Hotel: sugestão Best Western Shinjuku Astina – http://eng.bw-shinjuku.com/

Em Shinjuku a estação JR te liga a todos os lugares com poucas trocas de trem. O mapa é mole de se guiar. Procure o seu destino, em cima dele tem o valor da passagem e vc compra na maquininha automática. Assusta, mas no segundo dia você já está em casa. Easy!

Dicas de coisas pra fazer:

- Shinjuku: Shinjuku Goyen, parque grandão que é abrigo de terremotos, tem um lago de carpas gigantes e árvores de cerejeira (as famosas Sakuras – Cherry Blossom-). Vale a pena ir no Park Hyatt Hotel (uns 10 minutos andando), hotel chique onde foi filmado o filme Lost in translation. Lá no fundo tem uma delicatessen, sobe a escada e pega o elevador até o New York Bar, onde tem uma vista incrível da cidade e dá para tomar uns drinks românticos (e caros)! Chegando antes das 19h30 não paga couvert, e em um dia claro dá pra ver o Monte Fuji.

- Harajuku: pertinho de Shinjuku. Takeshita street, a rua da moda com várias lojinhas transadas. Se for domingo ou sábado você esbarra com o pessoal fantasiado de cosplay, hentai, sei lá. No final dela você chega em Omotesando.

– Yoyogi Park: do lado de Harajuku. Parque para um piquinique descolado.

– Omotesando: bairro com as lojas mais chiques, onde tem a Prada côncava (famosa). E não deixe de ir de jeito nenhum a loja de brinquedos Kiddy Land!

- Akihabara: bairro de eletrônicos e muitas lojas de mangás (revistas e bonequinhas).

– Roppongi: bairro cool, high class. Tem umas boites e tem o restaurante onde foi inspirado o kill Bill, nem e tão caro. Vale jantar lá um dia que tem um visual lindo. Se chama Gonpachi.

- Shibuya: um dos bairros mais famosos e movimentados do mundo. Tem o maior cruzamento do mundo e a estátua do lendário cãozinho Hachiko logo na saída da estação do metro.

– Shimokitazawa: bairro vintage, com lojinhas cool, meio hipster, flea market, brechó.

– Museu da GuerraYushukan Museum, fica no templo Yasukuni Jinja. É um museu espetacular para quem curte história, com artefatos de todas as guerras do Japão. E o parque em volta vale a pena conhecer! Fica próximo a praça onde tá o palácio imperial.

– Tsukiji Fish Market: maior mercado de peixe do mundo! Tem que chegar tipo 6AM e tem os atuns gigantes pra leiloar. E ali mesmo uns restaurantes rústicos que dizem ter o melhor sushi do mundo.

– Tokyo Disney! Imagine o Mickey falando japonês.

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Dicas Extras:

– Você tem que comer em um sushi kaiten. A esteirinha vai passando com os pratos pela sua mesa, você escolhe o que quer em um monitor, sai pegando o que quer comer e paga pela quantidade e cor dos pratos no final.

– Dependendo do tempo no país, você pode pegar um Shinkansen (trêm-bala) e em 4 horas estar em Kyoto (cidade mais pacata e cheia de templos)

– O Simulador de Terremoto é meio longe e fora de mão. Mas é de graça e parece uma atração de parque de diversão. http://www.ktr.mlit.go.jp/showa/tokyorinkai/english/72h/1f.htm

Alguns lugares para ver antes que acabem!

November 25, 2014

Postado no site da Avianca por: André Fran Data: 18 de setembro de 2014

Mar-Morto

Fiquei profundamente surpreso e triste ao receber essa semana a notícia de que um dos lugares mais interessantes que já conheci estava morrendo. Sim, literalmente morrendo! Estou falando do Mar Morto, o mar de alta concentração de sal em Israel/ Palestina onde turistas boiam como se estivessem flutuando (sempre com cuidado pra não deixar a água salgada cair nos olhos! Auuu!). A ação do homem, sempre ele, e alguns fenômenos geológicos estão fazendo com que o deserto diminua cerca de 4 metros por ano. Daqui a algum tempo, já era. Fiquei triste ao imaginar que talvez meus netos não possam conhecer e viver essa experiência única que tive no Oriente Médio. E aí fui pesquisar que outros locais e fenômenos se extinguirão e daqui a algum tempo serão apenas uma memória na foto de algum viajante.

As Neves de Kilimanjaro talvez seja a paisagem mais tragicamente emblemática do aquecimento global. Cientistas descobriram que 85% da neve que cobria a montanha mais alta da África no início do século passado já derreteu. E com a poluição e outros agentes, a tendência é isso só aumentar.

Um dos alvos favoritos dos fotógrafos de celular, ironicamente, o Salar de Yuni, na Bolivia, pode ser vítima de seu próprio sucesso. O lugar fica em cima de uma reserva imensa de lítio que compões justamente as baterias de celular. Com a crescente popularidade dos aparelhinhos, o governo boliviano tem extraído cada vez mais o mineral por ali, o que pode selar o destino do salar mais famoso do mundo.

Destino favorito de dez entre dez casais em lua de mel, as Ilhas Maldivas podem ser outra vítima da ação humana, do aquecimento global e da consequente subida do nível dos oceanos. O paraíso azul de mergulhadores e amantes das mais belas praias do mundo ocupa um pequeno território de altura muito baixa que nos últimos anos vem “afundando” em ritmo avançado. A hora de casar é agora!

Cenário de desenhos animados e fonte de inspiração para diversos personagens através de sua curiosa e adorável fauna, a Floresta de Madagascar com seus camaleões e lêmures pode não servir mais de referencia para futuros cineastas. Quase 90% de sua vegetação natural já foi extinta.

Infelizmente, esses não são os únicos destinos incríveis que correm risco de sumir do mapa. Fenômenos naturais e a ação humana estão se encarregando de tornar esses desaparecimentos cada vez mais frequentes. Ou seja, se você quer viajar e conhecer aquele destino único e especial: embarque nesse avião, AGORA

Videos simples mas que dão vontade de fazer as malas na hora!

November 25, 2014

Postado originalmente no site da Avianca por: André Fran Data: 30 de outubro de 2014

Desde a criação das cameras GoPro, em 2004, ficou muito mais fácil fazer registros de viagem pessoais. A praticidade e o fato de terem um preço relativamente acessível, possibilitou que hordas de viajantes e turistas passassem a filmar de pontos de vista originais (ou nem tanto) algumas de suas aventuras pelo mundo. Embaixo da água, acopladas em carros, taxis, tuk-tuks, dentro de trens, na janela de avião, filmando refeições exóticas, trilhas aventureiras e, mais recentemente, até anexadas a drones fazendo registros incríveis que até pouco tempo atrás custariam algumas dezenas de milhares de dólares para serem obtidos.
A industria de viagens logo passou a enxergar e absorver o fenômeno. Videomakers descobriram linguagens interessantes utilizando o equipamento simples mas com potencial incrível e a criatividade e a beleza dos registros deu conta do resto. Entre muita coisa feita de forma primária, tecnicamente tosca e sem nenhuma ambição de qualidade, muitos filmes legais começaram a aparecer.
Destaco aqui alguns bem interessantes que descobri em recente pesquisa, e adianto que em breve estarei produzindo algo nessa linha especialmente para a Avianca. Fiquem ligados!
1- Olhos de Águia
Os caras conseguiram colocar uma GoPro nas costas de uma águia que estava sendo solta de seu cativeiro em Chamonix, nos Alpes franceses.
https://www.youtube.com/watch?v=G3QrhdfLCO8
2- Holi
O Festival das Cores, na India, é sempre um momento especial para registros em video. O videomaker Dan aproveita os ângulos singulares da camera e a possibilidade de slow-motion para criar um divertido show de imagens e cores.
https://www.youtube.com/watch?v=VzCdSGjGAuw
3- Fiji Multi-Camera
Usando imagens em drones, pranchas de surfe, debaixo da água, time lapses e camera lenta, esse video consegue passar a exata sensação de deixar sua realidade urbana e mergulhar em um paraíso como as Ilhas Fiji. Dos prédios cinza de um centro qualquer para as praias de areia branca e água de um azul translúcido mais belas do mundo.
https://www.youtube.com/watch?v=81DrG3Qy4BI
4- Por dentro da Coreia do Norte
Realmente é bem difícil registrar qualquer coisa dentro da Coreia da Norte, sei bem porque já fiz um programa de TV lá dentro (escondido heheheh). Mas com uma pequena GoPro presa no capô de um carro dá até para conseguir fazer e filmar um city tour da capital Pyongyang. Incrível e raro registro!
https://www.youtube.com/watch?v=D4hLctBvojE

Por dentro da nova temporada do NCLC

November 25, 2014

Postado por: André Fran Data: 13 de novembro de 2014

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Há uns seis anos eu e mais três amigos iniciamos um projeto onde viajaríamos pelo mundo conhecendo culturas distantes, realidades inóspitas, roteiros fora do tradicional, nações em conflito, países vitima de desastre natural e algumas outras grandes questões da humanidade.  Desde então, entre momentos de tensão e alegria, já cruzamos fronteiras proibidas, entrevistamos terroristas, apertamos a mão de Premio Nobel da paz, demos rolé de tanque com a ONU, levamos ajuda humanitária em tsunami… entre outros feitos daqueles de contar para os netinhos no futuro. As vezes penso que já vi de tudo, mas a cada nova temporada do NCLC eu quebro a cara e me surpreendo com situações e pessoas que provam o quão vasto e maravilhoso e o nosso planeta.

Esse ano a temporada do programa foi bem especial e com uma abordagem bem diferente de todas as outras que fizemos. Nossa missão não era exatamente traçar um perfil de um pais mal interpretado ou vivendo algum tipo de situação complexa e singular, partimos do Brasil para os confins da Escandinávia (mais precisamente para as Ilhas Faroe) para acompanhar o trabalho de uma organização de proteção a vida marinha. Através de um amigo ativista, acompanhamos de perto o trabalho da Sea Shepherd (quem já viu a serie Whale Wars deve conhecer bem) em sua luta para evitar que centenas de baleias-piloto sejam brutalmente assassinadas em cenas dantescas onde barcos cercam os animais e os conduzem ate as praias onde são assassinados pela população ensandecida em um frenesi de imagens fortíssimas e mar tingido de sangue. Aprendemos muito, ouvimos relatos emocionantes de ativistas que lutaram e foram presos tentando evitar essa matança, conhecemos lugares lindos mas carregados de uma energia pesada e, procurando ouvir os dois lados das questão, percebemos o quanto algumas noções que parecem tao cruéis e distantes na verdade estão diretamente ligadas a hábitos alimentares e muito próximas de nossa própria realidade.
 
Serão dois episódios (dia 07/11 e 14/11) de cenários paradisíacos, imagens fortes e muita informação para fazer todo mundo pensar sobre o papel do homem na natureza e nossa relação com os outros animais com quem dividimos esse planeta.
 
De lá, seguimos para a Islândia, onde vivemos a realidade de um lugar onde a ameaça de um vulcão, algo completamente idílico e surreal para três brasileiros, por mais atemorizante que seja é parte da rotina desse país. Muita gente não sabe, mas em 2008 a Islândia vivia uma crise financeira gravíssima, bancos quebraram, moeda desvalorizou e a situação ficou muito complicado. Difícil imaginar para quem hoje visita a capital de Reykjavik, com seus prédios baixos e coloridos, clima de cidade pequena e pacata e lojinhas de souvenir e casacos (o clima frio, como se deve imaginar, impera o ano todo praticamente) ou percorre de carro as estradas lisas que circundam o país e atravessam paisagens que variam de montanhas cobertas de gelo a desertos de lava vulcânica. Parte das iniciativas que tiraram a Islândia da crise foram o foco em economia sustentável, ecologia etc. Parte disso passa por encarar seus vulcões (fenômeno preocupante que já fechou todo o espaço aéreo da Europa por alguns dias) como algo não tão assustador. Pelo contrário, camisetas engraçadinhas, canecas, slogans, livros… fazem uso dos característicos vulcões islandeses como uma atração a mais do país. E nós tivemos a oportunidade raríssima de ver de perto um desses vulcões em plena erupção! Autorizações especiais nos levaram por estradas no meio do deserto e até bem próximo aos “portões do inferno”, ou do paraíso seria mais apropriado pela beleza da dança do magma explodindo pelos ares e da lava escorrendo pelo chão. Para fechar com chave de ouro: testemunhamos uma belíssima Aurora Boreal rasgando os céus de verde. Dois fenômenos dos mais raros da natureza em uma viagem de 5 dias. Tá bom, né?
Screen Shot 2014-11-03 at 6.23.48 PM
 
Completando a temporada, o destino seguinte foi a Ucrânia. Queríamos ver os dois lados da recente revolução no país e da guerra que segue rolando em algumas regiões do país. A Kyev mais aliada a Europa e os valores ocidentais, e a Crimeia, recém anexada a Rússia com muito orgulho, com muito amor. Conversamos com gente que viu de perto os manifestantes lutando e sendo mortos às centenas por snipers em pleno centro da capital ucraniana, a agora famosa Maidan Square (#EuroMaidan) e andamos por essas ruas que até hoje carregam as cicatrizes desses violentos confrontos. Fomos então para a Crimeia onde nos alertavam dos riscos de violência, espionagem, instabilidade e confusão e na verdade vimos uma península pacata e muito evoluída que simplesmente identifica nos valores culturais e na sociedade russa a sua própria identidade. 
 
Para variar, mais uma aula de história, cultura, política e vida. In loco, e ao vivo e a cores como deve ser. Viajar é a maior aula!

EM DEFESA DE ISRAEL

August 5, 2014

 

Texto originalmente publicado na NOO Magazine (http://noo.com.br/em-defesa-de-israel)

 

Ser ignorante não significa ser burro. Aprendi essa lição em um discurso do Bial anunciando Kleber Bambam como vencedor do Big Brother Brasil 1. Desde então já conheci uma norte coreana altamente esclarecida que não tinha a mínima noção do poder de penetração da internet ou o que significava a expressão “rock and roll”. Participei de um jantar com manifestantes iranianas que não viam contradição entre criticar a falta de liberdade em seu país e defender o uso do hijab. E estive com jovens geninhos do Vale do Silício que não sabiam a capital do meu país. O que você sabe vai até onde alcança seu acesso à informação, sua capacidade de relativizar, seu poder de angariar referências. E, claro, o quanto você é vítima de propaganda. E aí falo desde a publicidade que promete felicidade plena na forma de um tênis de marca ou da campanha política que transforma interesse econômico em questão de segurança. Tenho grandes amigos dos dois lados do muro que separa Israel e Palestina. Dois povos, duas religiões, duas realidades tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas. Pessoas de bem, inteligentes, cultas, com um conhecimento histórico e cultural diferenciado, mas com opiniões diametralmente opostas a respeito de quase tudo. Como é fato notório e parte integrante da cultura nacional, brasileiro adora torcer pro lado mais fraco. Trauma de formação da nossa identidade, necessidade de corrigir injustiças hereditárias, sede de vingança por desigualdades sociais… Não sei. Só sei que é assim. E aí quando acontece um conflito em que a disparidade entre os dois lados é tão flagrante como nesse Israel x Gaza, a torcida brasileira (composta por 200 milhões de técnicos de futebol com MBA em Ciências Políticas) pende sem pestanejar para o lado obviamente mais fraco: o dos palestinos. Só que o lado mais fraco nem sempre é o mais certo. Então, me proponho aqui a fazer diferente: escrevo em defesa de Israel. Claro que a brasileirada especialista em generalização parte pro ataque confundindo tudo. Israelense vira israelita, árabe vira muçulmano, sionismo vira judaísmo, misturam eventos, embaralham datas, confundem acontecimentos. E, com razão, se tornam alvos fáceis para qualquer contra- argumento a favor de Israel. Estes, por sua vez, acabam se passando por detentores do monopólio de uma verdade a que só seu povo teve acesso. “Vocês não sabem de nada! Só defendem o lado mais fraco! Vejam o outro lado da história…”. Lançam mão de uma cartilha ensaiada e sem profundidade que acaba por calar essa oposição tão desqualificada. Encaram os fracos questionamentos como agressão e devolvem com a ladainha oficial de sempre (sem sequer verificar sua legitimidade). Não são levados à reflexão que poderia apontar para uma alternativa pacífica nesse histórico imbroglio. E assim segue o trágico ciclo desse conflito. Pois espero com esse texto gigante (desculpem) apontar algumas falhas básicas no discurso de quem defende o indefensável com argumentos pouco convincentes. Quem sabe assim esse povo tão admirável, que de perseguido passou a ser dos mais influentes no cenário político-econômico internacional, possa buscar alternativas mais sensatas e menos bélicas. Que deixem as justificativas para buscar alternativas que apontem de fato um caminho para a paz.

 

 

1- “Israel tem o direito de se defender!” Se a melhor defesa fosse mesmo o ataque, o Brasil não tinha tomado de 7 x 1 da Alemanha na Copa. Ninguém é contra o Iron Dome (sistema antimísseis israelense), mas quando para “se defender” você precisa matar centenas de inocentes esse conceito de “defesa” começa a ficar meio vago. 2- “Se o Hamas nos acerta com um tiro, devolvemos com um tiro de bazuca! É errado? É, mas…” Como diz o João Kleber: para, para, para, para! Se você precisa colocar “mas” após a premissa anterior, volte dez casas no jogo da vida e comece de novo. You’re doing it wrong… A reciprocidade é algo mais básico que as leis de guerra, que as religiões, ou que a política. E está diretamente relacionada ao direito de defesa. Ou deveria estar, né? Isso é vingança na forma mais primária e contraproducente. 3- “O Hamas exige a extinção do Estado de Israel e o extermínio do povo judeu!” Eu acho que quem fala isso imagina o povo árabe como animais inferiores, brutos, atrasados e de baixo intelecto. Mais ou menos como os nazistas viam o povo judeu. Considere o Hamas um partido político ou grupo terrorista, eles já entenderam que não tem poder de fogo para encarar Israel. Uma conclusão bem óbvia, por sinal. Com base nessa realidade, sua carta de intenções já mudou consideravelmente, e, a mais recente delas, trazia apelos considerados razoáveis até por analistas políticos de Israel (me refiro aos menos radicais. Nada parecido com aquela ex-playmate que propõe que se matem crianças palestinas e suas mães para que elas não possam parir mais “terroristas”). Liberdade para poder rezar na mesquita sagrada de Al Aqsa, em Jerusalém, poder pescar além do limite marítimo imposto por Israel, abertura de portos e aeroportos sob controle da ONU… Acho que são coisas possíveis de se realizar dentro de um objetivo de paz. Se houver de fato o desejo de dialogar, claro. 4- “O Hamas usa civis de escudo humano!” Bom, vamos lá: Gaza é um dos lugares mais populosos do mundo. Considerada por muitos como “a maior prisão do planeta”. Acho que quem levanta esse argumento de “escudo humano” imagina crianças de mãos dadas em volta de um lançador de foguetes com faixas do Hamas amarradas na testa. Não é como se desse para montar um aparato militar em um deserto isolado. Tem civil em todo lugar em Gaza! E, bem… Se os mísseis inteligentes israelenses erram a ponto de acertar hospital, escola, abrigo da ONU… Será que são mesmo tão inteligentes assim? E, para encerrar esse ponto: o fato de serem escudos humanos seria motivo para evitar atirar e não para justificar sua morte, não??? 5- “O Hamas comemora a morte de israelenses!” De fato, abominável. Mas recentemente vimos imagens de jovens israelenses acampados no topo das colinas em Sderot para ver as bombas caindo em Gaza como quem assiste a final do Super Bowl. Além do show de horrores (e preconceito, e racismo…) no Facebook e até no app de pegação Tinder (palestinder.tumblr.com). E, colocando em termos bem práticos, Israel teve muito mais para “comemorar” ao longo dos anos do que a Palestina, né? 6- “Os civis palestinos são vítimas da política de violência do Hamas”. Ah, sim. Porque a vida na Cisjordânia, que é comandada pelo grupo Fatah, bem mais moderado, está vai muito bem, né? Essa eu vi bem de perto. O clima de opressão e apartheid. A humilhação, o tratamento diferenciado, a apropriação indiscriminada de território, a falta de perspectiva, a superioridade racial imposta, a violência com mulheres e crianças… E sim, muitos civis palestinos em Gaza são contra o Hamas. Mas nem por isso eles deixam de ser vítima de bombardeio. Ah, Hamas e Fatah voltavam a dialogar recentemente para tristeza de vocês sabem quem… 7- “Ambos os lados estão errados!” A velha teoria de um erro justificando outro. A diferença é que, pelo que mostram os números, um lado está muito mais errado que o outro. Deve ser uma merda mesmo viver sob o ocasional barulho de sirenes alertando para correr para um bunker porque lá vem foguete (bem mequetrefe, vamos combinar). Mas muito disso é propaganda do medo que justifica todo esse problema. Eu já estive na praia em Tel Aviv tomando uma cervejinha enquanto caíam bombas em Gaza. Na recente pausa humanitária no confronto, a galera em Tel Aviv foi pra praia enquanto palestinos recolhiam mortos nos escombros. Uma amiga estudiosa da questão Palestina me disse uma vez: “Em um conflito tão desigual, não defender o lado mais fraco já é ser parcial.” Essa eu fui buscar no dicionário. “Guerra: Luta armada entre nações, por motivos territoriais, econômicos ou ideológicos.” Desculpem, mas tivemos algumas guerras ao longo da triste história da humanidade, mas essa não é uma delas. Eu não vejo uma luta entre nações. Eu vejo uma nação massacrando um grupo de pessoas encurralado em um pedacinho de terra. E mesmo na guerra existem leis. 9- “A mídia faz campanha contra Israel!” É impressionante como um país infinitamente mais rico e influente, com um patrocínio inesgotável de uma das maiores potências econômicas do mundo, detentores dos principais conglomerados midiáticos existentes… não consegue fazer frente a um povo em situação paupérrima onde até uma mísera conexão à internet é privilégio. Felizmente, temos hoje as redes sociais para denunciar alguma coisa. Mas, ainda assim, é uma luta desigual. E todos sabemos para que lado pende essa balança. Se a mídia fosse mesmo imparcial, a revolta em todo o mundo seria muito maior do que os protestos (cada vez maiores) que começam a despontar na Europa e adjacências. 10- “Se tivesse condições, o Hamas é que praticaria um genocídio em Gaza!” Então, Israel está promovendo uma espécie de “genocídio preventivo”? É esse mesmo o argumento? E vamos combinar o seguinte: quando o massacre estiver sendo de palestinos contra israelenses a gente passa a condenar o outro lado. Beleza? Preferi não voltar muito no tempo para não me alongar ou fugir da proposta. Palestina histórica, judeus na região, guerras árabes, controle britânico, partilha da ONU, criação do Estado Judeu, devolução de territórios, Intifadas… Achei melhor me ater aos tempos atuais ou iria escrever uma nova versão do Corão ou da Torah. Foquei nos absurdos modernos desse conflito atemporal. Israel não vai conseguir bombardear seu caminho para a paz. Para cada criança mutilada crescerão dez terroristas revoltados. E não há muro capaz de conter o ódio de um pai que perdeu o filho para um míssil de Israel. Como propus no início do texto, eu quis mostrar como esses discurso é fraco e tão indigno dos amigos sensatos e inteligentes que o proferem. As barreiras culturais, a política do medo, a lavagem cerebral, a propaganda, fazem com que alguns sequer queiram conhecer o outro lado. O que explica muito, mas não tudo. Esses argumentos são tão somente uma tentativa vã e inútil de justificar o injustificável. São nada mais do que desculpas. Um pedido velado e envergonhado de desculpas. É preciso atravessar o muro, estender a mão. Quando um não quer dois não brigam, já dizia a minha mãe após mais um quebra-pau entre eu e meu irmão. Alguém tem que ser o bigger man nessa briga de irmãos. E, sim, acho mais sensato hoje cobrar essa postura de Israel. Por todos os motivos que me fazem admirar esse país e os amigos que tenho por lá. Sei que eles são capazes disso. Shalom! Salam Aleikum!

O Nascimento do Livro

June 19, 2014

O LIVRO

Eu gosto muito de escrever. Foi escrevendo que dei minha principal contribuição para o projeto NCLC. Foi assim que cheguei a esta e outras colunas. Foi assim que contei minhas histórias em vários meios e para várias pessoas. Escrever é parte de todos os meus principais projetos de vida e de trabalho. Foi a profissão que escolhi. E, mesmo em outras atividades, a escrita está sempre lá presente. Mas, com diz a célebre frase de um dos mais nobres autores de todos os tempos, Thomas Mann: “O autor é alguém para quem o ato de escrever é muito mais difícil do que para uma pessoa normal.”. Sendo assim, nunca me achei bom o bastante para publicar algo. Para mim, livros sempre foram objetos sagrados.

 

 

Passados alguns anos, e algumas dezenas de viagens com o projeto “Não Conta lá em Casa”, comecei a perceber que, se escrever um livro permanecia intimidador o bastante, pelo menos agora eu tinha uma pá de histórias bem interessantes para contar.  Foi assim que depois de criar um filho (de 4 patas) e plantar uma árvore, decidi que era hora de me tornar um homem completo na mais romântica acepção da palavra. Dois anos mais tarde, realizei este que sempre foi um de meus grandes sonhos. Essa semana foi lançado pela Editora Record, “Não Conta lá em Casa- uma viagem pelos destinos mais polêmicos do mundo”, de André Fran.

 

O livro é um projeto pessoal e revela as minhas visões de alguns dos destinos mais incríveis e experiências mais transformadoras que vivi nesses anos rodando pelos recantos mais inusitados do planeta. Mianmar, de monges rebeldes e templos infindos, a impenetrável Coréia do Norte, o Japão pós-tsunami, o Iraque praticamente em guerra, gatas persas no Irã… Além de histórias de bastidores, dessas que só acontecem em viagens entre amigos, e dicas para o viajante moderno e aventureiro. Está tudo lá!

 

Nada mais estimulante para um viajante do que ouvir (ou ler) os relatos de outro viajante. E um livro tem uma capacidade única, e muito superior às modernosas tecnologias virtuais e produções high-tech, de transportar o imaginário do leitor para outras realidades. Espero que a leitura instigue, provoque e incentive o leitor a desbravar e (por que não?) mudar o mundo!

 

 

 

 

 

FECHANDO O NEGÓCIO

Depois que comecei a levar a sério essa história de livro e já tinha organizado grande parte do material e escrito alguns capítulos, resolvi abordar algumas editoras para ver se o negócio tinha mesmo futuro. Não seria um business muito inteligente investir mais de um ano na produção de um livro se não houvesse ao menos chance de vê-lo publicado (e dando algum retorno, né). Como muita gente quer saber, o processo para fechar o contrato com uma editora é bem simples. Você apresenta um esboço do projeto do seu livro (o que ele quer contar, qual a proposta, que tipo de narrativa, elementos originais…) e alguns capítulos de amostra. Com base nisso, a editora define se vale fechar um contrato com você (mediante um valor de adiantamento e acerto de royalties sobre a porcentagem do valor de capa). A partir daí, o problema é ser aceito. E nisso dei muita sorte! Fui aceito logo na primeira tentativa, com a renomada Editora Record.

Dali em diante, foi tocar o barco. Escrevi, rescrevi, revisei, cortei (muito!) até considerar o livro no ponto ideal. Um processo muito anti-ecológico, confesso. É só imprimindo e lendo o resultado de suas palavras no papel você consegue ter dimensão de erros e trechos que merecem ser trabalhados de uma forma impossível de ser percebida no monitor. Foi um processo longo e árduo. Feito isto, enviei o arquivo para a Record. E lá ele foi impresso e reimpresso mais umas duas vezes entre indas e vindas com correções e sugestões dos revisores e editores. Você tem total autonomia editorial para deixar seu livro como bem desejar, mas essa troca com os experientes profissionais da Record e as análises e trocas de opinião sobre estilo, narrativa, sequência foram um excelente aprendizado e aperfeiçoamento para mim enquanto “autor”.

A última etapa, que é específica para o tipo de livro que escrevi, é o layout, design de capa, tratamento de fotos etc. Processo mais longo do que eu esperava… Tudo sendo analisado em função do resultado visual sem perder noção das implicações em preços final e objetivos comerciais. Quase dois anos depois: finalmente peguei meu bebê em meus braços.

  

 

DIY- A CAMPANHA 

Escrever o livro é o de menos, lança-lo é que é o grande estresse. Ok, escrever não é tão mole assim. Levei um ano para escrever, reescrever, revisar, finalizar o texto das 308 páginas que compões o “Não Conta lá em Casa- uma viagem pelos destinos mais polêmicos do mundo”. Depois, foi mais um ano revisando, editando e acertando o layout da criança com ajuda da Editora Record.

 

Mas, como sou markteiro por formação com ênfase em mídias digitais, encarei como verdadeiro desafio a campanha (ainda em progresso) de lançamento. Como já relatei aqui o processo de criação e de como foi escrever o livro, esse texto será dedicado a detalhar o passo-a-passo da Campanha de Lançamento. De cara já explicação que muitas dessas teorias (e outras que acabei deixando de fora desse post) vem diretamente dos conceitos e ensinamentos de meu mentor, Tim Ferriss. Autor de textos utilíssimos como ESSE, e muitos outros.

 

Trailer de Livro?

O original da ideia (apesar de lá fora vários livros terem seus trailers) já é um atrativo. O fato do livro ser sobre as viagens realizadas para a produção de um programa de TV ajudaram, claro. Tinha mais material do que cabia em um trailer de poucos minutos.

 

Timing é tudo!

É importante fixar as ações e que elas sejam bem variadas. Então, criei diferentes grupos de ações e disparei todas elas simultaneamente. O trailer, as cópias de Imprensa, e o material para Formadores de Opinião.

 

Tour x Blogs

Viagens tem muitos gastos e pouquíssimo tempo útil de divulgação e comercial. Vale muito mais à pena investir em tempo e cópias para disseminar o livro entre blogs que irão expandir e multiplicar a mensagem.

 

Conteúdo é Rei

O grosso da divulgação dessa campanha é realizado online. Então, além do básico press-kit com as infos básicas sobre o livro, vale a pena liberar em exclusividade partes interessantes do conteúdo do livro. Limite ao máximo posts no estilo “Compre meu livro!”.

 

Press Kit e mais…

Melhor do que espalhar releases pelos sites onde você tem contato, é colaborar com matérias originais sobre o livro. Como essa, por exemplo. J

 

Mídia Whore

A mídia não é a mãe do seu filho. Eles não terão o mesmo interesse que você tem pelo seu produto. Faça o pitching para os veículos com base em conteúdo interessante do livro. Se possível, aliando à temas que estão na mídia. E não é meu estilo, mas: polêmica vende.

 

Promos!

Quem não gosta de uma promoção? Lá fora você pode influenciar seu público a melhorar o seu destaque em sites de venda como Amazon através de reviews e notas. Aqui nós não temos esse hábito, então as promoções servem como ferramenta para que o público que já conhece e quer ler sua obra espalhe a mensagem para suas redes de contatos. Ou seja: sorteie cópias nas redes sociais! “Espalhe a mensagem e concorra a prêmios!” Já fiz uma promoção bem legal no Twitter (@franontheroad), durante minha participação no #ChatDeViagem, e prometo fazer outras no Facebook e no Instagram (@andrefran).

 

Respiração boca-a-boca

De nada adianta tudo isso se você não tiver escrito o livro definitivo dentro de sua proposta. A obra mais perfeita que poderia ter nascido de suas entranhas. Um bom produto se vende sozinho.

 

Compre com apenas um clique!

Infelizmente, ir até uma livraria torna-se cada vez mais um ato do passado. Tanto quanto os livros impressos, em tempos de e-books e Kindles. Portanto, deixe o link para compras sempre disponível:

 

COMPRE DJÁ!

O livro “Não Conta lá em Casa”, de André Fran, já pode ser encontrado em todas as melhores livrarias do país. A Editora Record tem a melhor distribuição do Brasil, então, se a livraria mais próxima da sua casa ainda não tem uma cópia: encomende.

 

Para comprar online:

Livraria Saraivahttp://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4896029

Livraria Culturahttp://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/NAO-CONTA-LA-EM-CASA/42120345

 

 

NA MÍDIA

TV:

Programa Sem Censura (TV BRasil)

Rádio:

- Programa Pop Bola (Rádio MPB FM)

 

Impresso:

- Revista da TV (Jornal O Globo)

- Jornal Destak

- Revista de bordo Avianca

- Revista Aprendiz de Viajante

 

Sites:

- Trecho do livro divulgado em exclusividade para o site TechTudo

- NOO Magazine

- Site Avianca

- Site MrEight

- Vou Contigo

 

Livro “Não Conta lá em Casa”- Amostra Grátis

June 19, 2014

 

Sim, amigos e amigas! Se não bastasse o nosso DVD (que já está muito perto de ser lançado), um livro com diversas histórias passadas em meio a essas emocionantes e interessantes viagens que venho fazendo na companhia de meus 3 grandes camaradas está em processo de produção. Este humilde escriba que vos fala (escreve) fechou contrato com uma grande editora e já está há alguns meses queimando a mufa em textos, revisões, correções e adaptações. O título ainda não está definido, bem como a arte da capa, o texto da orelha, os agradecimentos e etc. Mas, tudo será revelado em seu devido momento!

Acho que é o maior sonho de alguém que trabalha com texto ter seu próprio livro publicado. E, como não poderia deixar de ser, esse sonho habita meu inconsciente desde que entrei na faculdade e decidi que, de alguma forma (sou formado em Jornalismo E Publicidade- Argh!), eu iria fazer da escrita o meu modo de vida.

Diz o ditado que alguém só se sentirá verdadeiramente completo quando tiver um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Eu já tive um filho (de quatro patas, mas vale!). E posso dizer que, graças ao NCLC, já plantei uma árvore e estou prestes a realizar um de meus maiores sonhos profissionais!

Sem mais delongas, gostaria de brinda-los com uma espécie de teaser do que vem por aí no Livro sobre minhas impressões e experiências acompanhando o Não Conta lá em Casa pelos quatro continentes! Um pequeno trecho do capítulo sobre nossa passagem pelo Iraque. Só pra dar um gostinho!

 

IRAQUE
Por: André Fran

 

Estar no Iraque é como participar daquelas partidas de porradobol na escola quando você é pequeno. Quando você é moleque (e essa realmente só se aplica às crianças do sexo masculino) uma das mais adrenalizantes aventuras em sua vida é invadir o jogo de porradobol dos caras mais velhos. Sim, porradobol. Aquela derivação do popular esporte bretão que possui uma única regra: aniquilar o adversário com uma bolada certeira e o mais violenta possível. Você fica lá correndo de um lado pra outro que nem uma galinha sem cabeça, rindo nervoso pela endorfina liberada ante a eminência da catástrofe. Megatons explodindo ao seu redor, forçando-o a mudar de direção em uma corrida frenética a lugar nenhum. O seu cérebro se encontra totalmente vazio, como em um mantra de sobrevivência. Seu único filete de consciência lhe ordena a correr, desviar, fugir. Boom! Outra bomba explode, desta vez no peito de um coleguinha que jaz chorando no chão. A brincadeira para ele acabou. Nessa hora, sua determinação triplica. É uma questão de honra permanecer naquele ringue, entender a lógica por trás daquele jogo irracional, e permanecer até o incerto fim da partida. Em um misto de burrice infantil e estúpida demonstração de coragem, você se diverte adiando o quanto puder o massacre do qual provavelmente cairá vítima. Inconscientemente, esses projetinhos de gente estão vivenciando algo que lhes moldará o caráter para sempre. Um ciclo natural que põe em cheque a evolução da espécie e celebra a hereditariedade da estupidez humana. Um crucial rito de passagem da categoria infanto-juvenil, pois logo começará a fase de se interessar por garotas. E então, grande parte da tranqüilidade, diversão e inocência de sua vida estarão perdidas para sempre.

Fato é que nossa experiência em Bagdá pode se resumir a um misto de medo constante e excitação. Poderíamos comparar com jogar uma partida de porradobol com os Deuses e em solo sagrado! Quatro desavisados brasileiros colocando seu destino a sorte andando assustados em meio a explosões fatais por todos os lados. Estivemos imersos por alguns dias em um autêntico cenário de guerra.

 

 

Não Conta na Aula- o projeto de palestras do Não Conta lá em Casa

June 19, 2014

Universidade do Oeste de Santa Catarina- 2013

 

Produzir o “Não Conta lá em Casa” não é bolinho, não! Se não bastasse o trabalho de pesquisa, viajar grande parte do ano, filmar, passar perrengue… Ainda voltamos pra casa (Brasil) e temos que decupar, editar, escrever, divulgar, planejar a próxima temporada, reunir com o canal… Afinal de contas, o programa é concebido e realizado por nós mesmos! Mas não nos damos por satisfeitos e ainda criamos mais uma atividade paralela: o “Não Conta na Aula”!

 

Juramos que o auditório estava lotado alguns minutos depois.

 

Como o programa é bem mais que uma série de TV, mas um projeto de vida nosso, achamos que está ramificação seria interessante, eficaz e oportuna. O Não Conta na Aula” é uma série de palestras apresentadas por um, dois ou mais membros do Não Conta. Abordamos questões culturais, políticas, sociais, econômicas e outras curiosidades dos países que visitamos. Falamos também sobre a parte de produção de TV, formatação do projeto, nossa amizade e as lições que aprendemos e levaremos para sempre conosco.

Vai de acordo com o gosto do freguês. E os bate-papos com turmas de jornalismo, relações internacionais, administração, cinema… tem sido fantásticos! Já estivemos na PUC, UFRJ, FACHA, Cândido Mendes, Estácio de Sá, FGV, PUC (PR), PUC (RS), FUMEC (MG), Bienal do Livro de Campos (RJ), UNOESC (SC)... Já nos apresentamos para algumas turmas do Ensino Médio aqui no Rio e até falamos sobre aquecimento global para uma garotada de 5 a 10 anos em uma Escola Municipal (uma das mais interessantes experiências que o programa já me proporcionou).

 

Aqui, você pode assistir como foi uma de nossas apresentações. Esta para quase 1000 pessoas, na PUC-RS (Famecos).

Para seu deleite visual (aham), montamos um álbum de fotos com algumas de nossas apresentações: Não Conta na Aula.

 

Um dos grandes momentos deste projeto foi quando tivemos a honra de ser convidados a palestrar no TEDx Rio, a etapa carioca do circuito de palestras mais famoso do mundo.

Quem tiver interesse em palestras, seja em instituições de ensino, empresas, casamento, festa de debutante… é só entrar em contato (andrefran@base1filmes.com.br)!

Mais uma gratificante atividade que só vem confirmar que o NCLC é muito mais que um projeto de trabalho, mas um projeto de vida!

 

@franontheroad

“Vamos comprar Neymar!”, diz torcida do clube de Roberto Carlos e Eto’o

June 19, 2014

 

(publicado originalmente no GloboEsporte.com)

 

Os amigos André Fran, Bruno Pesca, Felipe UFO e Leondre Campos rodam o mundo atrás de histórias nos destinos mais polêmicos do planeta para o programa “Não Conta lá em Casa”, que vai ao ar todas as quartas-feiras no Multishow. Em agosto, a equipe esteve no Daguestão, na Rússia, e acompanhou ao vivo a vitória do Anzhi por 2 a 1 sobre o Dínamo de Moscou. Apesar do medo da violência em Makhachkala, o grupo se divertiu com a torcida no estádio e ouviu até uma “promessa” dos torcedores do clube de Roberto Carlos, empolgados com o dinheiro do bilionário Suleyman Kerimov: “Vamos comprar Neymar!”

 

Não Conta Lá Em Casa em jogo do Anzhi no Daguestão (Foto: Divulgação)
A torcida do Anzhi no estádio: empolgação com nova fase milionária do clube (Foto: Divulgação)

Misturando Política e Futebol
O que nos levou ao Daguestão, a república mais violentamente instável da Rússia atualmente, não foi o futebol. Com a missão de desbravar territórios desconhecidos, polêmicos e perigosos, a região do Cáucaso parecia o destino perfeito para quem já tinha visitado os Bálcãs, a Coreia do Norte, o Afeganistão e o Iraque em guerra, por exemplo. Dessa vez iríamos começar nossa epopeia por Moscou e seguiríamos por Chechênia, Ossétia do Norte, Ossétia do Sul, Abkhazia e, para temor de todos, Daguestão. Analisando friamente nosso roteiro, era especialmente perturbador constatar que atualmente a lendária Chechênia, um lugar que já nos fazia tremer de medo só de ouvir o nome, era considerada fichinha perto da temida Makhachkala, capital do Daguestão. É que diferentemente de sua vizinha mais famosa, o Daguestão recentemente vem sendo palco de atentados terroristas quase semanais, ataques violentos e tentativas de assassinato contra policiais e forças do governo. Apenas um mês atrás, o porta-voz da presidência foi assassinado em plena luz do dia. E o que torna toda a situação na maior república do Norte do Cáucaso ainda mais complicada é que essa violência não tem uma única e direta explicação, como era o caso dos separatistas chechenos, mas era um misto de questões étnicas, políticas, econômicas e sociais. Em resumo: tenso!

Mas isso tudo ficamos sabendo após meses de pesquisa, dias e mais dias viajando por Moscou, pelo Cáucaso e depois de muitas conversas com os locais. Lá no início de tudo, nos preparativos para a viagem quando começamos a estudar os variados conflitos na região, logo saltou aos nossos olhos uma notícia futebolística: Roberto Carlos, o pentacampeão brasileiro, havia recentemente trocado o Corinthians pelo Anzhi Makhachkala, do Daguestão. Junto com ele, mais uma meia dúzia de grandes talentos mundiais estavam se integrando ao time daguestanês em troca de somas surpreendentemente vultuosas de dinheiro, como os brasileiros Diego Tardelli e Jucilei, o russo Yuri Zhirkov, ex-Chelsea, e, mais recentemente, o famoso camaronês Samuel Eto`o, contratado ao Inter de Milão por € 25 milhões e o maior salário do planeta: € 20 milhões por ano, o dobro do que Messi, o melhor do mundo, recebe do seu clube, o poderoso Barcelona. Tudo bem que Leondre e Pesca, meus companheiros de viagem rubro-negros não-praticantes e pouco entendem de futebol. Mas eu, alvinegro convicto, e Felipe UFO, um tricolor bastante chato, somos aficionados pelo nobre esporte bretão. Conhecemos o Spartak Moscou, o CSKA (o time do exército vermelho), Lokomotiv, Zenit… e, mesmo assim, confessamos que jamais tínhamos sequer ouvido falar na equipe local. É que essa fama do Anzhi Makhachkalaera bastante recente e, por enquanto, motivada apenas pelos seus feitos no mercado da bola. Dentro das quatro linhas, o Anzhi pouco tinha para se orgulhar. Era um clube recente, com pouco mais de 20 anos de existência (metade destes passados nas divisões inferiores), e que nunca ganhou um título da Premier League russa (sua melhor colocação até hoje foi um quarto lugar). Mas a sorte do Anzhi virou há poucos meses, quando o bilionário russo Suleyman Kerimov, um dos homens mais ricos do mundo (fortuna de US$ 7,8 bilhões segundo a Forbes) comprou o time. Acredita-se que essa manobra tem muito mais a ver com política do que com futebol. Uma vez que os governantes locais investem uma grana pesada para conter a instabilidade na região do Cáucaso, grande parte desse dinheiro é empregado através do passatempo preferido da população: o futebol. A própria vizinha Chechenia é exemplo disso: o ex-guerrilheiro separatista Ramzan Kadyrov, presidente da república e presidente da equipe local, também fez seus investimentos na área. O Terek Grozny contratou esse ano o lendário jogador holandês Ruud Gullit (já demitido) para técnico e o brasileiro Ewerthon, ex-Corinthians, Palmeiras, Borussia e Zaragoza para seu ataque. Os polêmicos Kadyrov sempre foram grandes fãs de futebol, antes de Ramzan, seu pai Akhmad, então presidente, foi morto em um atentado terrorista durante uma comemoração no estádio local que hoje leva o seu nome.

A grana é realmente um diferencial, mesmo se tratando de um meio acostumado a grandes salários como o futebol. Apesar de irrecusável, os jogadores devem ser alertados para onde estão se metendo. Um fato curioso e que deve colaborar bastante na hora de assinar o contrato é que os jogadores do Anzhi só precisam aparecer em Makhachkala no dia dos seus jogos em casa. Todo o time mora e treina nos arredores de Moscou e terá que voar cerca de 1250 milhas pelo menos 15 vezes durante a temporada. Se não bastasse a instabilidade na região, ainda há a questão do racismo. Movimentos xenófobos e de extrema direita frequentemente estão associados às torcidas organizadas de diferentes times. Brigas entre facções rivais são motivadas por muito mais do que mera paixão clubística. No ano passado mais de 5 mil pessoas ocuparam a Praça Vermelha, em Moscou, para uma grande manifestação que acabou em pancadaria e assassinato de estrangeiros aos gritos de “Rússia para os russos!”. E tudo começou com uma briga entre torcedores chechenos e da capital em uma partida de futebol algumas semanas antes. A Rússia se prepara para sediar as Olimpíadas de Inverno, em Sochi em 2014, e a Copa do Mundo de 2018 e pretende, até lá, erradicar completamente este problema endêmico. Enquanto isso, cenas como a do russo Yuri Zhirkov abandonando um amistoso em Moscou aos prantos ao ser vaiado por fãs ultra-nacionalistas que o consideram um traidor por se juntar a um time do Cáucaso, ou os dois episódios em que Roberto Carlos teve bananas atiradas em sua direção durante uma partida, estarão sempre na mente dos jogadores que se aventurarem a defender os novos times sensação da liga russa.

 

Dia de Jogo

Roberto Carlos na partida do FC Anzhi contra o Spartak de Moscou (Foto: EFE)
Roberto Carlos em ação pelo Anzhi: lateral achou
nova posição no futebol russo (Foto: EFE)

É desnecessário dizer que é mais fácil (bem mais fácil) achar um McDonalds na Rússia do que achar alguém que fale inglês. Mais desnecessário ainda dizer que nenhum membro de nossa equipe fala russo. Então, ao desembarcar no modesto aeroporto de Makhachkala nossa missão crucial era encontrar alguém que falasse inglês. Analisando nossos colegas de avião a missão parecia que ia ser dura, até que avistamos uma equipe de reportagem e resolvemos arriscar. Mal sabíamos naquele momento que o jornalista Dennis Kazinsky, da NTV Rússia, que caíra de pára-quedas em nossa história e se tornaria nosso guia, segurança, produtor e anjo da guarda. Mais do que isso, seria o nosso portão de entrada para o futebol no Cáucaso. Não havíamos escolhido esse destino por conta do futebol, mas com o surgimento desses bilionários aliados aos governos locais o futebol se tornava, sim, parte integrante e fundamental para se entender a dinâmica da região.

Admirado com nossa presença no local, Dennis, em inglês perfeito, fez um alerta: “Se estar no Daguestão é perigoso até para nós, imagine para vocês.” Contamos a ele que estávamos ali para filmar um reality show para o Brasil, que queríamos conhecer a realidade local, a história e, principalmente, como brasileiros e fãs do esporte, queríamos muito assistir a uma partida “do time do Roberto Carlos”. Meio que se sentindo responsável por aqueles quatro brasileiros desavisados, Dennis ofereceu uma carona e ainda disse que daria um jeito de arrumar um quarto no hotel onde ele e equipe estariam hospedados. Agradecidos e já nos dando por satisfeitos com tamanha sorte, perguntamos como quem não quer nada: “E que matéria vocês estão fazendo aqui?”. A resposta do Dennis parecia uma mensagem vinda diretamente dos céus: “Estamos fazendo a cobertura do jogo do Anzhi contra o Dínamo de Moscou. Se quiserem vocês podem nos acompanhar.” Mal sabíamos que o Dennis era narrador do principal canal de TV do país! Algo como o Galvão Bueno russo! Durante esses dias de convívio veríamos ele distribuindo autógrafos para os locais, posando para fotos, sendo recebido como figurão no estádio… e nós sempre na aba, claro. Não deixamos por menos e falamos logo que como brasileiros, fãs do esporte e do Roberto Carlos queríamos muito assistir a um jogo e quem sabe até entrevistar nosso craque se fosse possível. “No problem.” Ele respondeu como se não fosse nada. Deus só podia ser, mesmo brasileiro.

O jogo era naquele mesmo dia e sequer tínhamos ingresso. “No problem”, garantiu o Dennis. Queríamos filmar, mas não tínhamos credencial. “No problem”. Assim fomos indo e quando nos demos conta estávamos dentro do estádio, no meio da torcida organizada do Anzhi Mahakchkala, com bandeirinhas em punho e visão privilegiada do campo. O Anzhi está mandando seus jogos no Dínamo Stadium (nada a ver com seu oponente naquele dia) enquanto seu novo estádio, obviamente patrocinado pelo bilionário novo dono do clube, não estava pronto. O estádio atual era muito bem arrumado. Assentos de plástico bem cuidado, publicidade eletrônica nas laterais do gramado, uma grande torre de transmissão, camarotes e capacidade para vinte mil torcedores. Coisa de alto nível, mesmo. Mas a promessa é que o novo estádio em construção, que terá o dobro da capacidade, seja referência mundial em termos de modernidade e arquitetura. Pelo que o time vem mostrando no quesito gastação de dinheiro, eu não duvidaria. O Dennis se despediu da gente e seguiu para sua cabine de cobertura, onde se encontraria com a versão local do Arnaldo, Falcão ou similares. A torcida local era muito animada e simpática. Em nada pareciam com os skinheads neo-facistas que compunham nossos imaginário de torcedor russo e, conforme ficamos sabendo, a realidade da torcida de outros clubes. Quando souberam que éramos do Brasil, viramos o foco das atenções. Até foto tiramos. Várias! Então, enquanto o jogo não começava matamos o tempo “conversando” com a galera. Na base da mímica deu para perceber que os caras eram profundos conhecedores de futebol. Sabiam o nome e time onde atuavam diversos jogadores brasileiros. E não eram só os tradicionais São Paulo, Inter ou Flamengo que eles conheciam, não. Volta e meia nos surpreendiam citando algum time de menor expressão que não citarei aqui para não despertar a fúria de nenhuma torcida. Aproveitamos para perguntar a eles a opinião sobre os atletas brasileiros atuando no Anzhi e na liga russa. Roberto Carlos: sinal de razoável. Jucilei: sina de muito bom. Tardelli: horrível! Não fez nenhum gol até agora. E ainda faziam um sinal de barrigudo, denotando que o artilheiro do Brasileirão de 2009 não anda em boa fase. Vagner Love era para eles o grande craque brasileiro no atual campeonato. E, para nossa imensa surpresa, perguntavam incessantemente por onde andava Daniel Carvalho, considerado um dos grandes nomes estrangeiros a ter passado pelo futebol russo em todos os tempos. Mas o nome que mais comentavam era o do nosso promissor craque Neymar! E o que eles diziam com um sorriso de certeza no rosto e inglês paupérrimo era: “We buy Neymar! (Vamos comprar o Neymar!)” Será?

 

Não Conta Lá Em Casa em jogo do Anzhi no Daguestão (Foto: Divulgação)
André Fran, botafoguense, vestiu as cores do Anzhi contra o Dínamo de Moscou (Foto: Divulgação)

Bola rolando e passamos a observar tanto as ações no gramado como nas arquibancadas. Torcedor é igual em todo o mundo. Apesar dos do Mahachkala seguirem mais o estilo dos torcedores das ligas europeias do que dos brasileiros, inclusive exibindo a todo o momento aquele tradicional cachecol com as cores do clube (verde e amarelo), no geral era tudo bem igual ao que estamos acostumados. Os caras cantavam, xingavam o juiz, faziam a “ola” e provocavam a reduzida torcida adversária. Os raros fãs da equipe da capital que se aventuraram a ir torcer ao vivo ficavam em um setor separado atrás de um dos gols e não foram duramente hostilizados como se poderia supor. Mas o aparato de segurança a sua volta, somado ao fato de seu setor ser isolado por todos os lado por uma rede de proteção dão indícios que nem sempre a coisa é tão pacífica como naquele dia. Alguns jogos do Anzhi esse ano já foram adiados por razões de segurança. Mas, para a gente que estava ali, era difícil crer que esses simpáticos fãs pudessem oferecer grandes riscos. Em nada se assemelhavam as hordas de marginais travestidos de torcedor que compõem algumas facções de organizadas do Brasil. Apesar de seus históricos de mortes e violência serem bem parecidos.

No campo, dava para ver que o nível do jogo estava bem longe do nosso disputado Brasileirão. O destaque era o baixinho marroquino, Mbark Boussoufa, que corria, ditava o ritmo da equipe e aparecia às vezes na frente para marcar. Foi dele o primeiro gol da partida, para delírio da torcida. “Dagestan! Dagestan!” era um dos gritos mais ouvidos, o que mostrava que as pelejas ali tinham um sabor de confronto regional, também. As grandes estrelas como Roberto Carlos, Zhirkov e Kevin Kuranyi (o brasileiro naturalizado que já inclusive defendeu a seleção alemã) parecem estar ali mais a passeio. Se apoiando muito mais na técnica do que na raça. Roberto Carlos, já com seus 37 anos, ainda se destaca pela sua qualidade diferenciada e visão de jogo. Deixou a lateral para jogar mais livre no meio de campo. Meio volante, meio líbero. Uma posição que ele mesmo deve ter inventado e que executa até que muito bem ali no meio do time amarelinho do Daguestão. A partida era muito importante para ambas equipes. O campeonato estava embolado e o Anzhi, em sexto, podia se aproximar dos líderes, entre eles o Dínamo, que estava em quarto. Era o “chamado” confronto direto! No início da segunda etapa o Dínamo empata. Tristeza geral. Reclamação com a defesa e ofensas ao jogador mais fraco que sempre é pego pra Cristo (no caso, um camaronês voluntarioso que errava tudo o que tentava). Mas, para nossa alegria e para não sair com fama de brasileiro pé-frio, o russo Aleksandr Prudnikov desempatou a favor do time da casa aos 25 do segundo tempo.

Na saída do estádio ainda encontramos o Dennis que conseguiu uma credencial para que um de nós registrasse algumas rápidas impressões do Roberto Carlos! Detalhe: quando Leondre (o agraciado com a única credencial de imprensa) ia se apresentando a ele, explicando o que fazia, o nome do programa etc. foi interrompido pelo campeão que disse: “Cadê os outros três?” É! Roberto Carlos é fã do “Não Conta lá em Casa”! É gooooolll do Brasil! Guardadas as devidas proporções, considerando o cenário político, as diferenças culturais, os problemas históricos, a lição que fica dessa experiência tão trivial quanto surreal é o clichê máximo (e poucas coisas são mais profundas e verdadeiras do que um clichê): somos todos iguais. Os mesmos anseios, as mesmas questões, dramas, alegrias e tristezas. Só muda o endereço. Somos todos seres humanos, e as vezes o que faz nossa história tão diferente está apenas em um detalhe. Mas, como diz outro Roberto Carlos, o Rei: detalhes tão pequenos às vezes são coisas muito grandes para esquecer.